Empresários brasileiros deixam de fazer retiradas para evitar tributação dos 10% sobre os dividendos

por Natan Acauã | jul 31, 2026

Um dos efeitos mais interessantes causados pelos tributos é a mudança de comportamento que eles geram.

Se o governo deseja desestimular o consumo de um determinado produto ou desencorajar a importação de um determinado bem, basta elevar os impostos incidentes sobre ele e pronto. 

Foi também o que ocorreu com a nova tributação de 10% sobre os dividendos: algumas empresas reagiram sob pressão; outras recorreram ao planejamento.

A queda na distribuição de dividendos

De acordo com um levantamento divulgado pelo Valor Econômico, os pagamentos de dividendos caíram 27% após o início da tributação. Enquanto em 2025 as empresas haviam distribuído R$160,5 bilhões até maio, este número caiu para  R$116,7 bilhões no mesmo período. 

Na prática, o que ocorreu foi que muitas empresas, para evitar a tributação, anteciparam a distribuição de dividendos utilizando suas reservas de lucros e o próprio caixa, tudo para evitar o tributo de 10%. 

A situação foi além: em alguns casos, o endividamento passou a ser considerado uma alternativa para viabilizar os pagamentos já aprovados. Com juros elevados, essa decisão exige uma conta cuidadosa, já que trocar tributação por dívida, sem analisar o caixa e o custo financeiro, pode apenas mudar o problema de lugar. 

Para os cofres públicos, o efeito foi imediato: dos R$30 bilhões da receita esperada, o governo conseguiu arrecadar “apenas” R$885 milhões. 

Em resumo: decisões tomadas às pressas. Sangria no caixa das empresas. Menos dinheiro no seu bolso. Menos dinheiro para o governo.

Quando as decisões vão além dos números

As cifras acima mostram que o mercado está de olho nos dividendos. No entanto, o olhar mais aguçado deve estar na estrutura, e não nos dividendos, apenas. 

Quando uma empresa precisa esvaziar o caixa, antecipar pagamentos ou recorrer ao endividamento para responder a uma mudança na legislação, a discussão vai além do tributário e exige estratégia. É nesse momento que a conversa muda de patamar. 

Ao falarmos sobre a tributação da renda e de como as reformas em andamento estão mudando o comportamento das pessoas, não podemos deixar de lado algumas ferramentas de planejamento sucessório e patrimonial como, por exemplo, o seguro de vida.

Na contramão do que as empresas têm feito ao recorrer a empréstimos para antecipar as suas distribuições de lucros, algumas companhias têm olhado para o seguro de vida empresarial sob dois aspectos:

O primeiro é a proteção financeira de seus colaboradores e do próprio empresário e diretoria. 

Esse é o resultado mais óbvio de um seguro de vida: ele proporciona liquidez financeira na ocorrência de doença grave, incapacidade ou falecimento do segurado, trazendo segurança e conforto para os seus dependentes e, no nível empresarial, trazendo estabilidade e liquidez para a companhia. O benefício gerado pela liquidez do seguro é diretamente proporcional ao tamanho do patrimônio envolvido.

O segundo aspecto é a economia tributária que pode ser gerada com essa ferramenta.

Explico: ao falarmos sobre a tributação da renda no âmbito empresarial, a análise, no final das contas, recai sobre o lucro que a empresa conquistou. Quanto maior o lucro, maior o imposto.

No entanto, a própria legislação tributária garante que uma série de despesas pode ser deduzida da base de cálculo, tanto do imposto de renda (IR), quanto da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). E dentre essas despesas, se encontra o seguro de vida empresarial.

Ou seja, além de proporcionar liquidez e fôlego financeiro, o seguro de vida também pode entregar economia tributária para o negócio. É inteligência tributária aliada a planejamento sucessório.

Mudanças na tributação da renda podem comprometer caixa, investimentos e decisões sucessórias quando encontram uma empresa sem estrutura para absorvê-las. Algumas dessas empresas simplesmente contornam a situação, passam por essa reforma e sobrevivem aguardando pela próxima.

A questão mais importante, porém, não é se o seu negócio resiste a mais uma reforma. A questão é se você está criando uma estrutura para que o seu legado atravesse gerações.

Quero saber: como você está reagindo à nova tributação dos dividendos? Você já havia pensado no seguro de vida sob essa ótica do planejamento sucessório e tributário?

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